sábado, 28 de abril de 2012

Bordadeira


Dedico o poema "bordadeira" a todas as artesãs  dedicadas a seu ofício. Às mulheres rendeiras do Ceará e do Maranhão, silenciosas e plenas em seu trabalho. Estar perto de uma mulher dessas é sentir o seu harmonioso silêncio. Elas sequer assinam o trabalho que fazem, feito mais pela ancestral tradição do que pelo ego.  Essas mulheres muito têm a nos ensinar sobre uma postura de vida sábia e produtiva, e não é se esganiçando com palavras.  Enfim, uma outra perspectiva que colho da memória sobre mulheres do Estado e da região onde nasci e que, de alguma forma, estão também em mim. 

Ah, a bolinha de croché da foto fui eu quem fiz. Eu faço alguma coisinha em croché, só que a internet não precisava ficar sabendo. Tá bem, agora revelo..

Ótimo feriadão, e upa, daqui a pouco viajo.




Tecelã de versos e 
bordadeira de estrofes:
tricota aliterações
metonímias e absurdos
em gestos ancestrais
e movimentos que a
completam, traduzem
e excedem:

pingos nos is são
contas brilhantes
e vírgulas,
delicadas franjas

palavras de renda pura

na fina seda da
poesia costura
adjetivos
pesponta ilusões
paradoxos imagens

faz poemas que
a cobrem
enfeitam
e aquecem
a nudez
mas nua está
e nua compõe.

(do livro Lilases)

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